
Uma das coisas mais difíceis na terapia é fazer o primeiro contato com o psicólogo. As pessoas ainda têm uma idéia errada da psicoterapia e ficam com medo do que o outro vai pensar. Às vezes acham que o psicólogo não vai dar conta dos seus problemas. E muitas vezes acham que vão ser pessoas mais fracas por estarem procurando ajuda. É aquela idéia de que ser forte é dar conta dos problemas sozinha.
O psicólogo não vai estar ali para solucionar problemas dos outros, e a terapia não torna ninguém mais fraco. Ela é uma ferramenta de ajuda (um suporte) para que a pessoa consiga visualizar o problema e buscar novas alternativas de resolução. Não adianta nada fazer uma terapia se não houver uma dedicação. Se a pessoa que busca um terapeuta não estiver envolvida em todo processo, não vai existir resultado. A terapia é uma forma de ajudar o outro a se tornar cada vez mais forte.
Ninguém, num processo terapêutico, vai resolver problemas em conjunto com um psicólogo. Não tem como o terapeuta viver a vida pelo cliente. Mesmo na terapia, é o cliente quem vai tomar as suas decisões, ele que estará sendo responsável pelas suas escolhas. Ela é apenas um suporte, uma forma de se tornar mais forte. É um meio de desenvolver novas escolhas e desembaralhar alguns sentimentos. A terapia ajuda a ampliar suas capacidades e desenvolver novas habilidades. Tudo isso funciona como uma ferramenta para encarar o mundo.
Buscar uma terapia requer muita coragem. Tem muita gente que tem medo de olhar pra si. Medo do que vai encontrar lá dentro. Dentro de si e dentro do consultório.
Realmente, olhar para algumas coisas dentro de nós é muito difícil. Mexemos em muitas coisas que vão doer, vão incomodar. É como uma grande arrumação no quarto. Encontramos coisas antigas com muitas lembranças, encontramos lixo, achamos coisas que nem sabíamos que ainda existiam, encontramos objetos que nos trazem saudade, arrastamos móveis, encontramos poeira que ficamos com preguiça de limpar. Quando fazemos uma faxina no quarto suamos empurrando móveis, às vezes espirramos com a poeira, ficamos doloridas no dia seguinte e muitas vezes até nos machucamos quando esbarramos em algum lugar. Mas, no final, o quarto fica com uma cara muito melhor.
Eu me lembro que uma amiga me falou uma vez: "Imagina se te colocam em um quarto escuro que você nunca esteve antes e pedem pra você chegar do outro lado. Você anda esbarrando em tudo, afinal, ali é desconhecido e você não está vendo nada. Você não sabe o que vai encontra na frente, não sabe pra onde ir. Esbarrando em tudo, você acaba chegando do outro lado. Quando você faz terapia, você acende a luz. Fica tudo mais fácil, mais claro"
Eu gostei muito dessa comparação, acho que funciona bem assim mesmo. Ninguém vai atravessar o quarto por você, isso é algo que você vai fazer sozinha. Alguém pode te ajudar a iluminar o caminho.
Fazer uma terapia é uma decisão que requer muita responsabilidade. Mas fazer uma primeira entrevista não quer dizer que você seja obrigado a ficar por lá. Um primeiro contato pode ser fundamental para uma escolha.